O Rui Albuquerque
escreveu antes que apoia a candidatura de PPC apesar de não ser militante. O meu caso tem algumas parecenças: sou militante, mas
há menos de 6 meses e por isso ainda não posso votar... Ambas as situações são bom sinal - é o PSD a abrir-se ao envolvimento, directo ou indirecto, de novos intervenientes, é possivelmente o começo da renovação que se espera há tanto tempo. Depois de muitos anos como simpatizante do partido, decidi recentemente inscrever-me quando percebi que havia em Portugal um problema gravíssimo de representatividade: na prática, quem escolhe o Primeiro-Ministro e o líder da Oposição é
menos de 1% da população!
Um aspecto diferenciador da candidatura de PPC à liderança do PSD, e principalmente comparado com Sócrates, é precisamente a ênfase na vontade e na capacidade de envolver a sociedade civil. Em vez de se apresentar como um "salvador", mostra-se como alguém que sabe ouvir e estudar, para depois decidir com a sua equipa e manter o rumo escolhido. A força dos líderes está na sua capacidade de congregar esforços/competências. (Por isso, aliás, é que Sócrates vai cair, pois a sua prática não é "sustentável".)
As propostas de PPC não são novas (muita gente defende essas ideias há muito tempo), mas também não precisam de o ser. Basta concretizar aquilo que parece ser óbvio mas que os Governos não fazem. É bom que PPC defenda essas ideias, e que consiga o apoio suficiente para as tornar realidade. Por exemplo na
diminuição concreta do peso do Estado. Por exemplo na
transparência dos procedimentos da Administração Pública. Por exemplo na
prioridade à eficiência e eficácia da Justiça. Por exemplo na
simplificação dos instrumentos de actuação do Estado.
O voto em PPC, muito mais do que na pessoa, é no projecto que defende. O mais importante de tudo são as ideias, o programa. Por isso é positivo que ele o esteja a apresentar com clareza, para que o voto não seja um "cheque em branco". Eu, ao defender PPC, não defendo um super-homem. Defendo o projecto que ele apresenta, e não quero que faça mais do que aquilo que se propõe fazer porque não teria mandato para isso. Se cumprir o seu programa (e vou exigir que o faça), depois deverá submeter novos temas à discussão pública. Nessa altura cada um de nós dirá o que pensa e confirmará (ou não) se PPC continua a ser o líder de que precisamos. O facto é que, até agora, as ideias de PPC (naquilo que é relevante neste momento) são mais próximas das minhas do que as de qualquer outro candidato.
Tenhamos o bom senso de limitar o debate àquilo que é realmente essencial. Tomar posição sobre temas comparativamente menores é desviar a atenção do fundamental, é criar ruído, é fazer favores aos adversários. A situação do país é demasiado grave para que nos desviemos das prioridades estabelecidas. Na verdade, é tão grave que não basta PPC: somos indispensáveis todos nós!
Tiago Azevedo Fernandes