Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
A gestão tecnocrática do empobrecimento está a criar um descontentamento profundo em todos os sectores da sociedade portuguesa. Esse descontentamento já encontrou o seu exutório partidário à esquerda, através do reforço eleitoral do PCP e do Bloco. Os avisos e as movimentações de Soares e Alegre ilustram bem a preocupação dos socialistas face ao avanço da esquerda não-democrática que historicamente sempre lhes coube travar.
Mas para montar o cerco a esta política e derrotar Sócrates, precisamos de abrir uma nova frente de batalha no centro do espectro partidário. É isso que o PSD decide no Sábado: vamos apertar o cerco a Sócrates, obrigando-o a combater em duas frentes? ou vamos deixar o combate à esquerda não-democrática, solidarizando-nos por defeito com o PS?
A escolha de Manuela Ferreira Leite corporiza esta última opção estratégica. Não que a nossa companheira não tenha as melhores intenções: de boas intenções está a sua moção cheia. Mas como se comprovou nos últimos dias, na hora H Manuela Ferreira Leite opta sempre por se colocar do lado do Governo.
Quem quiser acabar com o ciclo de poder socialista em 2009 só tem um voto possível: Pedro Passos Coelho.
De Eleitor a 28 de Maio de 2008 às 11:40
Muito bem!! Não voto no PSD mas votarei Passos Coelho para primeiro-ministro. Entre Ferreira Leite e Sócrates, votarei em branco.
Penso que, neste momento, e à distância de mais ou menos um ano para o próximo acto eleitoral legislativo, Pedro Passos Coelho é, em primeiro lugar, a melhor opção para o próprio partido social-democrata.
No entanto, vaticinar que ele será o candidato vencedor a futuro primeiro-ministro, já é fazer futurologia, compreendendo eu, no entanto, a vossa posição.
É que o actual governo com todas as suas vicissitudes, tem governado melhor do que qualquer outro que lá tenha estado, desde praticamente o 25 de Abril, em períodos conjunturais económicos difíceis que foram praticamente todos, à excepção do ciclo governativo de Cavaco Silva.
Pois, como é afirmado neste post, não existe grande diferença entre as práticas social-democratas de MFL e as socialistas de JS. E apesar de toda a boa vontade do actual governo, as perspectivas para o crescimento económico e para a estabilidade social do nosso país não são nada animadoras, muito pelo contrário, se atendermos ao que por aí virá em termos de recessão económica provocada pelo abrandamento da economia ao nível global e a flutuação dos preços nos mercados financeiros que controlam a livre circulação dos chamados bens essenciais. Crise importada mas que nos afecta e muito.
Chegamos, portanto, ao ponto da questão que é saber se o projecto liberal de "governance" defendido por Pedro Passos Coelho, não será o melhor caminho para a solução de uma grande parte dos nossos problemas, um incentivo à captação do investimento estrangeiro com todas as consequências que daí advêm para a revitalização dos sectores tradicionais do nosso tecido produtivo, hoje praticamente todo ele assente na prestação de serviços - por ex: o sector bancário - que não só não geram riqueza, como são altamente voláteis em termos da empregabilidade (já para não dizer que são eles os responsáveis pelo anormal incentivo ao consumo com o consequente endividamento das famílias).
Pessoalmente, aposto fortemente nesse projecto. Agora caberá a PPC, se for eleito, convencer os cidadãos eleitores na generalidade, da sua exequibilidade e respectiva sustentabilidade. Primeiramente terá que nos mostrar que tem capacidade para governar a sua própria casa, afastando os elementos que claramente não servirão esse propósito e apelando a um maior envolvimento da sociedade civil, onde, à partida, estacionam os profissionais mais competentes - ex: Paulo Macedo -.
Depois e “parafraseando o povo”, o futuro a Deus pertence…
Cara Filipa,
Efectivamente Ferreira Leite seria a muleta do governo Sócrates em 2009. Muito bem detectado.
Não esuqecer que há também a alternativa PSL, para além de PPC
Não sei se o comentário anterior é dirigido a mim...?
Em todo o caso, só para acrescentar que, para mim, PSL, é carta fora do baralho: fora do baralho legislativo; fora do baralho autárquico; fora do baralho para o parlamento europeu, enfim, fora de todo e qualquer baralho que implique escrutínio resultante de qualquer compromisso eleitoral, no que ao exercício da minha cidadania venha a tocar.
Comentar post