Sábado, 24 de Maio de 2008
«Penso que [o TGV] é uma prioridade no sentido em que é um projecto a que o Governo irá dar execução. Em que momento irá ser feito? Não lhe sei dizer ainda», afirmou Manuela Ferreira Leite (Outubro de 2003).
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«O TGV vai ser uma monumental SCUT e já se percebeu que não há dinheiro para pagar isto», frisou Ferreira Leite (Maio de 2007).
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«Não me parece que o TGV seja um investimento indiscutível. E como não é indiscutível deve ser muito discutido», disse Ferreira Leite (Janeiro de 2008).
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Durante o debate na TVI Manuela Ferreira Leite afirmou que «os governos não podem esquecer ou contrariar decisões tomadas e assumidas», no entanto, disse «não conhecer o suficiente sobre o dossier TGV para se pronunciar» (Maio de 2008).
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Subitamente, Ferreira Leite deixou de conhecer suficientemente este dossier. Entre outros, suponho. Amnésia passageira, seguramente. Caso contrário teria de concluir que o conhecimento insuficiente dos dossiers nunca a impediu de se pronunciar e que agora, por motivos meramente oportunistas, não quer falar de determinados assuntos.
Os seus apoiantes apostaram sobretudo no capital de imagem de MFL que ela detinha até à data em que decidiu não assumir a chefia do executivo de Durão Barroso, como lhe era de direito. JPP ainda recentemente afirmou que era intenção de MFL abandonar o executivo de Durão Barroso ainda no período da sua vigência.
Isto para referir que MFL foi a figura de proa escolhida por alguns dos militantes de referência do PSD para reaver o partido, devendo ser substituída a qualquer momento - se vier a ser eleita - ou ainda antes das próximas legislativas ou, posteriormente, por uma outra equipa liderada por alguém que, neste momento, não apresenta o carisma necessário para ganhar eleições. Partindo deste pressuposto, não ponho de parte a hipótese do regresso de Marques Mendes...
É notório o esforço e o desagrado da senhora perante as câmaras, nas respostas às questões que lhe são colocadas (tenta-se fazer passar a ideia errada do tecnocrata que fala pouco, mas o que, na realidade, se passa é que a senhora pouco ou nada tem a dizer, porque toda e qualquer ideia ou metodologia a aplicar irá sempre de encontro às políticas adoptadas por José Sócrates).
Quem é que em sã consciência pensará que esta senhora, alguma vez, pudesse a vir a ganhar as próximas legislativas, na base de "predicados" como sejam: a imagem (que já não convence ninguém); a arrogância; a atitude neutral face aos dossiers que alegadamente diz desconhecer; a natureza misteriosa em que se está a pretender envolver a sua imagem política.
Se MFL parasse para pensar, reconheceria sem dúvida os danos que, em consequência deste processo de candidatura por ela não desejado, irão afectar a sua carreira política e profissional, abandonando enquanto é tempo, e deixando o espaço livre a PPC que é o candidato melhor posicionado para o futuro do PSD, enquanto partido político da alternância do poder.
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