A minha primeira impressão sobre o debate foi morna. Não simpatizo com Manuela Moura Guedes, que orientou mal a conversa, misturando questões de fundo com medidas de pormenor. Os candidatos não disseram nada de novo em relação ao que era conhecido. Não houve sequer tempo para uma discussão real entre eles. Enfim, nada de relevante se passou.
Mas agora, com mais calma ao fazer um balanço, de facto o que se passa "cá fora" na sequência do debate é interessante e revela bem o mal de que padece Portugal: parte significativa das elites (mesmo as blogosféricas) sente-se reconfortada com a presença de uma "mãe adoptiva" que tome conta da casa, que meta em ordem a miudagem, que decida o que achar melhor para nós, que nos guie na escolha do futuro. Por isso nem estranha que a mãe não partilhe connosco quais são os seus planos, porque ela na altura, com a sua experiência e maturidade, saberá o que fazer. É bom, assim já podemos ir lá para fora jogar à bola e quando formos grandes então trataremos nós do país. Mas tem tempo, entretanto há uma encarregada de educação.
Ora bem, Pedro Passos Coelho sai fora deste cenário, não bate certo aqui. Pois não é que ele tem ideias e até acha que a miudagem deve pronunciar-se? Não seria mais sensato deixarmos a governação para quem sabe?
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Noutro registo, algumas notas quanto à estratégia de comunicação.
1) Pedro Passos Coelho é simpático e cordial, e por isso tentou explicar a MFL por que é que discorda dela. Por razões de eficácia da comunicação, não deve fazer isso. Deve dirigir-se ao país, não a ela. É que há quem confunda isso com reverência, apesar de o fenómeno ser outro.
2) PPC tem que explicar que o Governo, só por si, pode pouco. Para desenvolver Portugal tem que ser o catalisador da sociedade civil, da iniciativa privada. Tem que mobilizar os portugueses, facilitar a vida às empresas, deixar que o país respire. A diferença principal de PPC para MFL está aqui:
Ou seja: MFL procura fazer com que a Administração Pública resolva os problemas do país, sem a consciência de que isso é uma impossibilidade. PPC, ao contrário, percebe que só envolvendo os agentes privados e a população se conseguem alcançar os objectivos. MFL é a mãe severa, PPC é o líder mobilizador. Os militantes do PSD saberão quem escolher. Até 2009 há muito tempo para que o resto do país também perceba isto.
AAN
Filipa Martins
João Espinho
Jorge Fonseca Dias
LR
Paulo Gorjão
Rui A.
TAF
Vasco Campilho
Vítor Palmilha
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Impressões de um boticário de província