A uma mesma pergunta do Público, as respostas de Manuela Ferreira Leite e de Pedro Passos Coelho:
Portugal atravessa, há vários anos, um período de fraco crescimento económico. Quais as três principais medidas que propõe para inverter esta situação?
Pedro Passos Coelho: Temos um problema de qualificações, um mercado pouco qualificado e com uma grande rigidez e, essencialmente, um Estado que é demasiado gastador e, portanto, demasiado ineficiente, consumindo muitos recursos que seriam necessários para que a economia pudesse crescer. As medidas essenciais que podem inverter esta situação são, primeiro, um esforço maior, sobretudo em exigência de qualidade, na formação dos recursos humanos. Segundo, a reforma do Estado. O Estado vai ter de desgovernamentalizar a economia e de ser mais eficiente e mais competitivo nas funções que desempenha, mesmo nas áreas sociais. E precisamos de caminhar para um quadro de maior flexibilidade na área laboral que permita um despedimento mais fácil e, portanto, que as empresas possam contratar com mais facilidade. Isto significa que o Estado vai ter de desgovernamentalizar a economia. E nas áreas sociais, nomeadamente educação, saúde, apoio social, o Estado vai ter de ganhar eficiência, colocando-se em concorrência com a oferta privada.
Manuela Ferreira Leite: Não é um problema de medidas, é um problema de políticas. As políticas são conhecidas e são óbvias em relação àquilo que fomenta o crescimento económico. As medidas só são susceptíveis, só têm efeitos, se inseridas no contexto global da situação económica do momento. Não creio que honestamente alguém possa responder a uma pergunta destas, porque, neste momento, ninguém é capaz de prever qual é que é o cenário macroeconómico de 2009. Com todas as imponderáveis que existem, não é possível, com correcção, dizer-se que medidas é que na altura sejam adequadas para executar a política que nesse momento é necessária.
Um candidato responde clara e directamente à questão que lhe é colocada. Outra desconversa. Há quem lhe chame credibilidade...
De Fidélio a 23 de Maio de 2008 às 03:37
Fui curto na anterior resposta. Senti uma leve náusea a percorrer-me a alma como vento gelado que perpassa a orla costeira. Depois de jantar, dei uma volta, vivi as pessoas, vi-as na sua mais quotidiana vivência, chapinhando nelas , enquanto um chuvisco enxugava a terra. Agora, estando sereno, decido responder convenientemente à Senhora Fernanda Valente.
Tenho consciência que isto é um espaço de apoio ao Senhor PPC . E sei que é candidato à liderança de um partido, partido que tem uma forte preponderância no eleitorado. Por esse motivo, e não querendo desdenhar as outras forças partidárias, entendo que a melhor forma de suportar um candidato, é pela via de um debate sereno, com pessoas de diversos quadrantes sociais, onde os seus apoiantes mostrem a força e o fulgor do seu projecto. Dessa forma, não considero ser fugir ao interesse e fundamento deste blog estarmos a trocar impressões, é mostra de vitalidade e interesse. É esta a grande virtude de uma Democracia, e os partidos, devem estar envolvidos com a subjectividade que um eleitorado sente, pois caso não ocorra, perdem no seu horizonte as esperanças e os interesses de uma massa anónima que vegeta pelas ruas.
Quanto à referência ao PCP, tenho divergências terríveis com o sua linha ideológica, mas sei reconhecer o que de bom existe: coerência, "até estreita de mais", e o porte de um pensamento incontornavelmente inspirador e vital para a Humanidade, para o pensamento económico, para o pensamento histórico e social. Além disso, o marxismo foi uma das grandes linhas inspiradoras da social-democracia, muito distante do liberalismo de contornos actuais. Todavia, é claro que "mudam os tempos, mudam as vontades", e não nos devemos prender demasiado ao passado, mas também não o devemos esquecer facilmente.
Quanto ao ensino actual, pode até estar a transmitir dados importantes para o INE, mas o que não está a produzir é massa pensante, por diversas razões que não cabe aqui explanar, mas que vale a pena nomear que todos somos responsáveis.
No que toca às famílias, elas têm tido mais informação, têm tido suportes, assistência , e um poderoso suporte da escola pública. Agora, um ponto relevante: conheço diversas famílias de classe média, onde a educação familiar está a desenvolver um materialismo vulgar que não é de todo positivo para o esforço de aperfeiçoamento moral do ser humano. Tendo educação, tendo um nível de vida óptimo, era de esperar um resultado acrescido ao da pessoa pouco letrada, pelo menos na formação humana, porque têm condições superiores. Mas subsiste na mesma um pobreza que pelo menos já era de ter sido atenuada.
Quanto aos professores, há mentes bondosas, elevadas e com uma capacidade de motivação excelente. Mas também há o lado negativo, infelizmente, e senti bem na pele isso...como muitas pessoas. Era um aluno exemplar, todavia, por falta de estímulo, comecei a desinteressar-me, a desmotivar, a perder rumo...isso também aconteceu em relação à classe dirigente. Desde os meus tenros 7 anos ,pelo menos, seguia atentamente os seus passos, mas nessa altura, havia uma frescura, e uma conjuntura favorável...com a adolescência, com a minha rica experiência social, as coisas alteraram-se...
Conheço pessoas de diversos quadrantes sociais, de diferentes idades, por isso é que desenvolvi os tópicos anteriores. Não tenho assistido nos últimos anos a qualquer progresso significativo, antes um alheamento cada vez maior. Pelo menos, até na faculdade, o meu grupo de convívios é muito restrito, porque não me insiro num meio com as características que necessito para o meu desenvolvimento, acabando por afrouxar em leituras lunáticas até altas horas, dormindo pouco, e meditando em questões até o cérebro arder na mais terrível melancolia.
Para finalizar, o que pretendia, era não uma formulação geral, mas sim com base na experiência da natureza humana, com base nos limites que o povo, ou seja, o conjunto de forças políticas que actua na nossa sociedade, uma forma de liderar uma reforma social... uma coisa bem mais detalhada, da parte das soluções desta candidatura à liderança...ou seja, uma forma de manter a dívida pública, o défice, reduzindo o peso do estado, mas mantendo o estado social e obtendo uma minoração das disparidades sociais e DESENVOLVIMENTO!!!
Pois é Fidélio, eu até entendo a sua posição. Também já tive a sua idade e devo dizer-lhe que o meu modo de pensar mudou radicalmente desde então, baseado numa coisa muito simples: a experiência de vida.
O seu anterior comentário foi para mim esclarecedor quanto a algumas dúvidas que subsistiam na minha apreciação da sua, digamos, “retórica” no que diz respeito às suas dúvidas, aos seus anseios quanto à verosimilhança de uma metodologia a adoptar no sentido de um evoluir da sociedade como nós todos gostaríamos, com tudo de bom e nada de mau. Mas, digo-lhe uma coisa: essa é uma, senão a única impossibilidade que existe na vida (juntamente com o carácter perene da existência humana) de vir a ocorrer.
Mas, voltando ao assunto que me fez voltar aqui:
Não sei o que é que o Fidélio entende por estado social… Ao longo da vida, a maior parte das pessoas que hoje defende o estado social, nunca se preocupou com o seu futuro nem com o dos seus filhos. Concluíram com dificuldade a escolaridade obrigatória ou beneficiaram de momentos políticos instáveis para conseguir diplomas com um mínimo de conhecimentos, tendo posteriormente acomodado-se, perante a inércia e a indiferença dos centros de decisão governamentais. Com a evolução dos tempos, com a nossa aproximação a outros povos muito mais evoluídos, sentiram que o tapete lhes fugia debaixo dos pés, e exigem hoje do Estado a solução para os seus problemas: ou seja, somos todos nós contribuintes que estamos a sustentar a vivência precária dessas pessoas, para a qual não contribuímos. Excluo desta minha linha de pensamento os actuais jovens que não são os que contribuem para adensar os índices do desemprego - esses são as grandes vítimas do regime político que se instalou em Portugal, a democracia representativa -procurando fora a solução para os seus problemas, não se acomodando.
Portanto, Fidélio, na minha opinião, um Estado liberal é um Estado que tem uma função meramente administrativa e reguladora. Não tem que ser patrão, não tem que ter ao seu serviço “n” funcionários públicos, um sem fim de ministérios, direcções-gerais, órgãos disto, departamentos daquilo, etc. E nós, os contribuintes não deveríamos ser obrigados a suportar a carga fiscal a que estamos sujeitos, porque todo o político que recorre ao aumento dos impostos para manter o tal estado social, é um mau político, é um político acomodado que só pensa em se dar bem, num país em que os políticos estão acima da lei, nunca sendo responsabilizados pelos seus próprios actos enquanto no exercício do poder, (ex: caso Casino na expo, o conluio no abate dos sobreiros, o contrato de arrendamento do restaurante “Eleven”, o caso do sistema de segurança adjudicado a uma empresa com o envolvimento de vários políticos, e outros mais, muitos mais).
Para mim, Pedro Passos Coelho, enquanto candidato a um partido da alternância do poder, é o candidato que mais se ajusta à minha linha de pensamento, e é por isso, que eu tenho colaborado neste blogue como comentadora, apesar de não pertencer a nenhum sindicato de voto.
Dou aqui por terminada a minha colaboração neste post; creia que gostei de trocar ideias consigo, apesar de lamentar que um jovem com a sua idade partilhe de um horizonte tão redutor ao nível das ideias que habitam o domínio do sistema político que dita as regras que fazem mover a nossa sociedade.
De Fidélio a 23 de Maio de 2008 às 20:41
"(...)um jovem com a sua idade partilhe de um horizonte tão redutor ao nível das ideias que habitam o domínio do sistema político que dita as regras que fazem mover a nossa sociedade."
Compreendo o sentido da sua enunciação, entendo as suas ideias, e interpretei a sua concepção de estado, e penso que em termos económicos, partilha de ideias defendidas pela escola monetarista, certo??? Ou então, só alguns pontos, retendo também a lição do Keynesianismo ... Sei que essas duas escolas têm se fundido, e que a esfera de separação não é muito nítida,agora.
Não tenho um horizonte limitado, simplesmente tento pensar com vínculo afectivo e o distanciamento devido as escolas de pensamento, ponderando bem nelas, e não esquecendo o princípio da realidade e a minha experiência da vida... somente isso, tentando descortinar os preconceitos, e reflectindo solidamente nas consequências, a exemplo, de determinadas medidas, sem ter nada como cem por cento certo. Quer dizer, que mesmo que pareça, estou demasiado aberto, não me integrando em nenhuma escola concretamente, e não aceitando pertencer a uma linha só.
Quanto ao que disse, concordo em grande parte com os pontos enunciados. Acho o bem-estar absoluto uma utopia, e mesmo sendo novo, tenho consciência de tudo o que disse, tenho noção de que a experiência de vida imprime alterações na percepção da realidade. Mas tento manter a dúvida como método para me superar sucessivamente. É tão vital como escrever, pensar, me isolar e sair à noite e conviver.
Por fim, tenho a dizer que apreciei a troca de ideias, e que gostaria de contar com a sua visita ao blogue que pretendo criar, depois da época de exames. Se tiver na disponibilidade de contribuir, comentando, daria-me muito prazer, visto ser uma pessoa com uma outra experiência e contacto com o mundo laboral que eu não possuo, só meus colegas. Também já consultei o seu blogue, interessou-me deveras.
Os meus sinceros e cordiais cumprimentos.
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