Pedro Passos Coelho referiu há pouco na entrevista na SIC Notícias a importância de dar formação permanente aos trabalhadores empregados
para que eles se possam ir adaptando às necessidades da empresa. À medida que o mundo evolui, a produção e os métodos de trabalho têm de se adaptar. Se possuir recursos humanos com capacidade de corresponder às novas exigências, a empresa evitará despedimentos.
A Formação é um aspecto onde a política actual do Governo tem falhado redondamente. Sócrates (ao que consta ele próprio com uma formação algo deficiente...) imagina que basta dar cursos a desempregados para que estes adquiram novas competências (supostamente avançadas qb.) e aumentem a probabilidade de conseguir emprego. Asneira! Por duas razões.
1) O que não falta são licenciados desempregados. O problema deles, na esmagadora maioria dos casos, não é falta de qualificações, é falta de empresas onde as aplicar. Ainda hoje comentavam comigo que num concurso para um lugar de recepcionista num serviço público (500 e poucos euros/mês) a grande maioria dos candidatos tinha licenciatura e, além disso, quase todos apresentavam no seu curriculum a passagem por funções de caixa em supermercados!
2) Se uma acção de formação não é seguida imediatamente por inserção em ambiente de trabalho onde os novos conhecimentos
sejam aplicados, estes ao fim de pouco tempo acabam por se perder. Por isso o que na prática está a acontecer é que os desempregados são
induzidos a perder tempo a adquirir competências pouco duradouras, que de nada lhes servem.
Não faz sentido apostar em formação "a seco" para desempregados. O que se justifica é apoiar as empresas a dar formação a trabalhadores já contratados, ou a contratar num
regime suficientemente flexível para não ser dissuasor. Aí já não haveria dúvida quanto à adequação às características do mercado, pois seriam os próprios empregadores a definir o perfil dos cursos que, após conclusão, eram imediatamente rentabilizados pela integração dos formandos na estrutura produtiva da empresa.