Depois de ter escrito
este post em que referi a Regionalização, participei no
debate lançado no Blasfémias a propósito das
declarações de Pedro Passos Coelho em que propõe um referendo interno no PSD sobre este tema. Devo dizer que é preciso alguma paciência para manter uma discussão civilizada, porque o nível de agressividade é altíssimo... As pessoas apaixonam-se pela questão e têm dificuldade até em compreender a posição dos interlocutores, quanto mais discuti-la! Há quem julgue que nenhum interveniente, sem excepção a não ser eventualmente o próprio, passa do mesquinho jogo de interesses mais ou menos inconfessáveis. Com este pressuposto, o diálogo é árduo... mas não se pode desistir.
Deixo aqui a referência de mais dois blogs que abordam o tema:
regioes.blogspot.com e
norteamos.blogspot.com. Muitos outros haverá, sugiro que em comentário a este texto proponham mais locais na rede que recomendem visitar.
Se calhar devia usar preferencialmente o termo
Centralismo para me referir a esta questão, pois em rigor a Regionalização não é a única maneira de combater o Centralismo (não vejam aqui já uma forma semi-encapotada de contrariar uma Regionalização, pois
já me expliquei...). Na minha opinião, o PSD não deve esperar que este tema venha ter consigo, tem também que ir estudar e debater nos locais onde ele tem vindo a ser tratado. Mesmo sabendo que há muito ruído e que ao final só uma pequena parte é reflexão séria e ponderada, com propostas concretas, não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar aquilo que, apesar de tudo, vai surgindo com interesse.
Permitam-me reforçar este ponto: o Centralismo é o mal a combater; a Regionalização é um instrumento, não um fim em si.
(Publicado igualmente n'A Baixa do Porto)
Caro TAF,
Custa-me muito a crer que alguém com 44 anos, mais de 20 de política, português, candidato a líder do PSD e a 1º ministro, ainda não tenha ideias consolidadas sobre como 'combater o centralismo'. A proposta de estudar, pensar, referendar é uma coisa vaga e dilatória de quem pura e simplesmente não sabe o que dizer sobre este importante assunto. Ou então de alguém que tem opinião mas tem medo de a divulgar para não perder eventuais votos o que, convenhamos, é uma das piores características que se podem apontar a um político. E esta característica - a de ser vago e abrangente - não se limita a este importante assunto: verifica-se em quase todos os assuntos abordados nas entrevistas que já ouvi e li do candidato. Ser apenas 'jovem' não dá garantias a ninguém para protagonizar uma nova 'esperança'. Principalmente quando mantém todos os velhos hábitos de fazer política.
Apesar de todos os defeitos, tergiversações e incoerências Menezes tinha propostas muito mais objectivas e concretas: regionalização em 2009, harmonização fiscal com Espanha, discriminação fiscal positiva do interior e da raia, autonomia municipal para fixar os horários do comércio, entre outras.
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