«O PSD é um partido inter-classista. Não aceito essa linguagem divisionista», afirmou ontem Manuela Ferreira Leite referindo-se à expressão «barões», utilizada por Pedro Santana Lopes.
De acordo. A linguagem divisionista, porém, não fica por aqui. Ferreira Leite deveria igualmente rejeitar a designação, que começa a ganhar algum espaço, «candidaturas de facção». Não se confunda as coisas: não há nenhum mal na existência de divergência e de confronto, nem se está a defender a existência de consensos artificiais ignorando as diversas sensibilidades.
Acontece que «barões», «bases» e «facções» são tudo exemplos da tal linguagem divisionista. Tudo expressões desajustadas da intenção anunciada de pacificar o PSD no day after.
De
JPVale a 3 de Maio de 2008 às 12:14
Dra. Manuela Ferreira Leite em entrevista ao Expresso (03-05-2008):
"(Expresso) Então, se ganhar o partido, não contará com quem não teve consigo?
(MFL) Não se trata de não contar. Agora, quem discorda de mim, com certeza não estará na disposição de colaborar comigo."
... senão é linguagem divisionista, vou ali e já volto...
"(Expresso) Já confessou ter dúvidas sobre se é possível ganhar eleições sem promessas simpáticas. Vai abdicar dos seus princípios?
(MFL ) Seria a primeira vez na minha vida que abdicaria de princípios ou deixaria de dizer o que penso."
(...)
"(Expresso) Durão Barroso também prometeu não subir os impostos e aumentou o IVA de 17 para 19%. A senhora era a ministra das Finanças.
(MFL ) Mas não era a candidata a líder."
... mas na altura aceitou a contradição e "enterrou" a promessa sem pestanejar...
"(Expresso) A sua imagem pública está muito associada a um perfil de austeridade e aperto de cinto que é tudo o que as pessoas menos querem. Isso não a condena a uma derrota?
(MFL ) Não, porque a política que eu tive que seguir naquela altura inseria-se num contexto que hoje já não existe. A situação em que encontrámos o país não se confunde com a actual. Nós entrámos em funções com Portugal com um processo em Bruxelas por défice excessivo. Tínhamos um ano para corrigir a situação e quando saímos o processo estava arquivado. Orgulho-me muito disso. Hoje, as contas não estão solidamente consolidadas mas já não há razões para aplicar as mesmas políticas. Se me perguntar se quando eu fui ministra das Finanças teria aplicado aquelas medidas se não houvesse razão para o fazer, com certeza que não teria."
... afinal a Sra. Dra. dá razão ao actual Governo. O Sr. Eng. José Sócrates sempre fala a verdade ao afirma que estamos melhor e que há espaço para a descida do IVA em 01%...
O Dr. Pedro Passos Coelho tem razão quando afirma que «Ferreira Leite é uma incógnita».
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