Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

«A única oposição possível é a liberal»

«(...) Muito pouca gente se pergunta se não era possível não apenas fazer melhor, mas fazer muito diferente e se essa diferença faz, afinal, toda a diferença. Banhados em milhares horas de circo e gladiadores, na anomia generalizada de todos a fazerem a sua vidinha como se nada fosse, e no escapismo, who cares?
(...)

Pode-se, sobre o governo Sócrates, fazer dois tipos de críticas: ou dizer que faz bem mas faz pouco (que é a linha que de alguma maneira a própria Manuela Ferreira Leite sugeriu no congresso do PSD); ou entender que o que é necessário é fazer de outro modo, muito diferente. Só haverá verdadeira oposição quando se combinarem os dois termos, com preponderância do segundo.
(...)

O que Sócrates tem feito é defrontar a crise do Estado-providência propondo remédios que atrasam o seu colapso. Não o põe em causa, nem contesta a sua forma, concorda com ele por razões ideológicas. Várias vezes afirmou que essas medidas de austeridade têm como objectivo último garantir a "segurança social" para os portugueses e, com uma oposição que não contesta o essencial da sua atitude, faz o mal e a caramunha, ou seja, governa como governaram Barroso e Lopes e, mesmo aos olhos de muitos opositores do PS, com a vantagem de o fazer melhor do que os seus imediatos antecessores sociais-democratas.
(...)

O que significa que a única oposição possível é a liberal. Sem este tipo de oposição, não há oposição a não ser a comunista e a do BE, que é uma variante da comunista. Só uma oposição liberal reformista e moderada pode mudar este estado de coisas. O consenso acéfalo dos dias de hoje é favorecido pela inexistência ou debilidade desta oposição.»

«A única oposição possível é a liberal», José Pacheco Pereira (Público, 29.6.2006).

publicado por Paulo Gorjão às 15:41
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12 comentários:
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 16:59
Tem o seu quê de irónico que use para apoiar PPC os escritos de Pacheco Pereira que apoia, como todos sabemos, Manuela Ferreira Leite. Espero que o Paulo Gorjão não mude entretanto de campo, tal é o seu apego a José Pacheco Pereira e ás suas ideias.

Na verdade vejo nesta sua opção dois sinais:

O primeiro é que não há ideias próprias em Pedro Passos Coelho nem nos seus apoiantes.

E o segundo é que José Pacheco Pereira, apoiante de Manuela Ferreira Leite para a presidência do PSD é, tal como a candidata que apoia, ouvido por todos os militantes do Partido, mesmo os que apoiam candidaturas distintas.

Não lhe dá que pensar?

Rafael Marques
De André Borges a 1 de Maio de 2008 às 19:51
A mim, o que me dá que pensar é que Pacheco Pereira apoia a candidata que representa a linha diametralmente oposta aquela que Pacheco defendia ainda há menos de 2 anos. Isso é o que me dá que pensar, amigo Rafael...
De Vai de Mota a 2 de Maio de 2008 às 16:06
O problema é quando estamos numa situação onde se tem de optar pelo melhor dos piores. Alguém acredita que MFL tem hipóteses contra Sócrates? Nem ela nem JPP. Mas entre ela e Santana ou PPC (nesta fase seria só para queimar).. não há grandes dúvidas. MFL é a melhor hipótese (ainda que não seja certo) para tirar a maioria, arrumar a casa e preparar outras guerras.. porque 2009 já foi.
De Paulo Gorjão a 1 de Maio de 2008 às 19:54
Caro Rafael Marques, não vejo por que motivo JPP deva ser ignorado pelas diferentes candidaturas. Só por capricho? Já o disse e repito: há muitos pontos de convergência ideológica entre PPC e JPP. As circunstâncias, porém, ditaram caminhos diferentes. Não vejo qual é o drama. Last but not the least, a questão das ideias próprias: quer mesmo que responda à provocação?
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 20:22
Paulo,

Responda à provocação sim: Ideias próprias de Pedro Passos Coelho. Vá.
De TAF a 1 de Maio de 2008 às 20:45
Escrevi aqui:

"Um aspecto diferenciador das outras candidaturas, e principalmente de Sócrates, é precisamente esta vontade e capacidade de envolver a sociedade civil. Em vez de se apresentar como um "salvador", ao contrário é fundamental mostrar-se como alguém que sabe ouvir e estudar, para depois decidir com a sua equipa e manter o rumo escolhido. A força dos lideres está na sua capacidade de congregar esforços/competências. Por isso é que Sócrates vai cair, pois não é "sustentável"."
De Paulo Gorjão a 1 de Maio de 2008 às 20:37
Caro Rafael Marques, não sei muito bem que ideias próprias é que quer que PPC tenha. Quer que ele invente uma ideologia ou uma doutria nova? Se quer que ele invente o liberalismo ou a social-democracia, lamento informá-lo mas a roda já foi inventada há muito tempo. PPC assume-se como liberal e reformista e à luz desse template já deu exemplos do que pensava pela sua própria cabeça e algumas vezes contra a ortodoxia. Estou a pensar, por exemplo, nos casos mais mediáticos e mais falados, como seja a RTP e a CGD.
Se, por outro lado, por ideias próprias entende pensar pela sua própria cabeça, então também aqui PPC já mostrou que as tem. Mas, claro, não lhe estou a dar nenhuma novidade.
De Anónimo a 2 de Maio de 2008 às 13:05
Caro Paulo,

O que eu gostaria era de ouvir Passos Coelho a falar. E não de ler as opiniões de Pacheco Pereira ou mesmo as suas ou de outros sociais democratas para encher o blogue.

O que eu gostava era de ver ao vivo e pela boca do próprio a sua capacidade de elaborar sobre as tais ideias que tem (digamos que privatizar a RTP é uma ideia um bocadinho dejá vu, tanto que já caiu no "dominio público", e dizer que se é reformista ou liberal é fácil. Mas como concretizar isso? Com que instrumentos?).

De Paulo Gorjão a 2 de Maio de 2008 às 13:31
Não faltarão seguramente oportunidades. Hoje, por exemplo, pode ler a entrevista ao JN. Mas algo me diz que nada que PPC diga lhe agradará. Está no seu direito, naturalmente.
De AJF a 2 de Maio de 2008 às 16:01
http://militantedebase.blogspot.com/

“Não somos liberais, somos de centro-esquerda“, afirmou Amândio de Azevedo quarta-feira à noite na sede da distrital do Porto, onde a candidata MFL se apresentou aos militantes.

E eu que andei toda a vida a pensar que estava num partido de centro-direita. Aliás era isso que nos distinguia do PS. Era acreditar que o peso do estado na economia tem que ser aliviado. É acreditar que o progresso de todos se constrói á custa do progresso das empresas. É acreditar que uma sociedade civil forte não se pode abnegar dos seus valores. É acreditar que falar verdade é mais útil do que ser demagógico. É acreditar num estado social construído por todos e a custa de todos para todos. É acreditar que o mérito tem de ser distinguido. É acreditar que no progresso e no desenvolvimento está o futuro.

http://militantedebase.blogspot.com/
De Curiosamente a 2 de Maio de 2008 às 17:24
1- *é defrontar a crise do Estado-providência propondo remédios que atrasam o seu colapso *

Curiosamente, é falso que o Estado-Providência esteja a caminho do caos. Essa mentira, apesar de muitas vezes repetida em certos círculos neo-liberais, não passa disso mesmo. De uma mentira.
O que acontece, é que a forma financeira como certas partes do Estado Providência eram feitas, essas sim, não se aplicam mais.
Como por exemplo, as reformas se basearem na natalidade a dobrar dos anos 60 ou similares.
Mas isso quer dizer , este simples facto, que DE FACTO, O QUE ACONTECE É QUE MAIS NINGUÉM SABE achar outro método para as reformas
Só isso
Com tanta gente inteligente, e arrogante, nem uma só alminha das vozes neo-liberais (e dizem eles que são peritos em economia, ehe ) sabem achar novas formulas, de simples a complexas, para resolver a situação.
E quais gestores incompetentes, ou com falta de coragem, baseiam-se em fórmulas marcelistas para dizer que as pensões não tem solução.
Ou seja, nem sabem aumentar a Natalidade
Nem sabem achar outras formulas de resolver o problema da falta de fundos para as pensões.

Solução neo liberal ? Acabe-se com tudo.
Eu, despedia-os, pois essa é também curiosamente, a doutrina deles. Despedir quem é incompetente.

Quando um neo-liberal está a dizer que os casos das pensões e reformas não tem solução, está a dizer na prática, que ele (a) é incompetente.

A solução "vamos privatizar" quer dizer "não me metam nisso, apesar de eu estar aqui a dar opiniões".

Soluções ? Há várias, quer para a natalidade (e sem subsídios) quer para ter dinheiro para as reformas e pensões.
Eu conheço várias, e sei várias, mas não sou neo-liberal

2- * Várias vezes afirmou que essas medidas de austeridade têm como objectivo último garantir a "segurança social" para os portugueses e *

Curiosamente, acredito que seja importante para vcs Exas saber quem JPP apoia ou não. Para milhares de portugueses(as), não é tanto.
O cerne dessa frase, é que é.
Parece que quem a diz, e quem a defende, é a favor do fim da Segurança Social.

Era isso que eu e certamente muita gente gostaria de ver respondido .
É PPC, ou JPP, ou seja quem for que por estes dias se apelida de Liberal, a favor do fim da Segurança Social ?
A resposta parece ser sim, mas espero da vossa parte.

Novamente, não me admira que alguns "liberais" sejam a favor do fim da Seg Social, pois esses mesmos liberais não sabem resolver o problema dos tempos dos anos 60 . O que é paradigmático, e de acordo com as mesmas regras dos Neo-Liberais, da sua incompetência para tratar do assunto, e até, para falar do assunto. Ou falta de coragem.

Atenciosamente, e com respeito
Curiosamente
De TAF a 2 de Maio de 2008 às 18:05
Curiosamente, escreveu aqui várias coisas acertadas (outras nem por isso) :-)
Gostaria só de responder a esta, agora:
"É PPC (...) a favor do fim da Segurança Social ?"

Parece-me estar bem claro que se defende a manutenção de garantias asseguradas pelo Estado aos cidadãos, seja ou não o Estado a concretizá-las directamente. Ler aqui, por exemplo.

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