Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

PPC e nós todos

Gaivota  no Centro Histórico do Porto

O Rui Albuquerque escreveu antes que apoia a candidatura de PPC apesar de não ser militante. O meu caso tem algumas parecenças: sou militante, mas há menos de 6 meses e por isso ainda não posso votar... Ambas as situações são bom sinal - é o PSD a abrir-se ao envolvimento, directo ou indirecto, de novos intervenientes, é possivelmente o começo da renovação que se espera há tanto tempo. Depois de muitos anos como simpatizante do partido, decidi recentemente inscrever-me quando percebi que havia em Portugal um problema gravíssimo de representatividade: na prática, quem escolhe o Primeiro-Ministro e o líder da Oposição é menos de 1% da população!

Um aspecto diferenciador da candidatura de PPC à liderança do PSD, e principalmente comparado com Sócrates, é precisamente a ênfase na vontade e na capacidade de envolver a sociedade civil. Em vez de se apresentar como um "salvador", mostra-se como alguém que sabe ouvir e estudar, para depois decidir com a sua equipa e manter o rumo escolhido. A força dos líderes está na sua capacidade de congregar esforços/competências. (Por isso, aliás, é que Sócrates vai cair, pois a sua prática não é "sustentável".)

As propostas de PPC não são novas (muita gente defende essas ideias há muito tempo), mas também não precisam de o ser. Basta concretizar aquilo que parece ser óbvio mas que os Governos não fazem. É bom que PPC defenda essas ideias, e que consiga o apoio suficiente para as tornar realidade. Por exemplo na diminuição concreta do peso do Estado. Por exemplo na transparência dos procedimentos da Administração Pública. Por exemplo na prioridade à eficiência e eficácia da Justiça. Por exemplo na simplificação dos instrumentos de actuação do Estado.

O voto em PPC, muito mais do que na pessoa, é no projecto que defende. O mais importante de tudo são as ideias, o programa. Por isso é positivo que ele o esteja a apresentar com clareza, para que o voto não seja um "cheque em branco".  Eu, ao defender PPC, não defendo um super-homem. Defendo o projecto que ele apresenta, e não quero que faça mais do que aquilo que se propõe fazer porque não teria mandato para isso. Se cumprir o seu programa (e vou exigir que o faça), depois deverá submeter novos temas à discussão pública. Nessa altura cada um de nós dirá o que pensa e confirmará (ou não) se PPC continua a ser o líder de que precisamos. O facto é que, até agora, as ideias de PPC (naquilo que é relevante neste momento) são mais próximas das minhas do que as de qualquer outro candidato.

Tenhamos o bom senso de limitar o debate àquilo que é realmente essencial. Tomar posição sobre temas comparativamente menores é desviar a atenção do fundamental, é criar ruído, é fazer favores aos adversários. A situação do país é demasiado grave para que nos desviemos das prioridades estabelecidas. Na verdade, é tão grave que não basta PPC: somos indispensáveis todos nós!

Tiago Azevedo Fernandes
publicado por TAF às 17:10
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3 comentários:
De jbengala a 30 de Abril de 2008 às 19:00
Tenho esperança que o Pedro Passos Coelho seja a lufada de ar fresco de que a nossa política tanto precisa!!!!
De Pedro a 30 de Abril de 2008 às 19:03
Calma lá. O Sócrates vai cair? Certo. Não me parece é que seja em 2009. O voto em PPC, muito mais do que na pessoa, é no projecto que defende" Também é bonito. Mas qual projecto? Ah, a carta de valores... vamos lá ver:

Pessoa - ficam sempre bem estas tangas humanistas sem qualquer tipo de aplicação prática.
Liberdade - Indeed.
Verdade - como diz a criançada: LOL!

E por aí fora. Esta carta de valores é uma colecção de disparates que nem a comunada seria capaz de vomitar de forma tão brilhante. Parabéns. Só uma pergunta. Supondo que a Mudança é mesmo um valor (?!), se PPC conseguir mudar as coisas (?!) continuará a ter a Mudança como valor?. Se sim, muda o quê? Em que direcção? O PPC devia ter acrescentado outro valor: coerência. Acabava, no instante, com a Esperança.
Por fim, quero deixar aqui o meu apelo ao voto na candidatura de Santana Lopes - na hora da morte o melhor é mesmo rir.

P.S - não preciso que o PPC confie em mim. Eu como ser humano, na posse de todos os direitos e deveres, bla bla bla, fui sempre capaz de me realizar, bla bla bla, sem o PPC. Muito obrigado.
De Tiago Azevedo Fernandes a 30 de Abril de 2008 às 19:44
Caro Pedro, há aí um equívoco: a carta de valores não é o programa... Vá ouvindo com atenção o que PPC tem dito e aguarde por um documento posterior. ;-)

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