Terça-feira, 20 de Maio de 2008

De Pedro Passos Coelho e dos caciques

Decorre do meu post anterior que a) Pedro Passos Coelho só tera mais caciques a apoiá-lo na medida em que tem mais apoiantes, e b) nenhum indício permite inferir que o universo dos apoiantes de Pedro Passos Coelho tenha maior incidência de más práticas na actividade partidária do que o universo dos apoiantes de qualquer outro candidato.

 

Donde se conclui que as críticas a Pedro Passos Coelho relativamente aos seus apoiantes relevam sobretudo de a) miopia política e b) double standards. Isto é: por um lado uma incapacidade de reconhecer o fenómeno criticado nas diversas candidaturas, por outro lado uma superior exigência relativamente à candidatura de Pedro Passos Coelho. Estas duas razões conjugam-se aliás com frequência, o que assume contornos particularmente graves em defensores de uma candidatura que pretende pôr o partido na ordem.

 

 

Resta uma última razão de crítica relativa ao papel dos apoios nesta campanha. Ouve-se por vezes dizer que Passos Coelho compromete a sua linha política ao aceitar certos apoios. Ah e tal que os caciques cobram-se. Ah e tal que o apoio deles é interesseiro. Ah e tal questão de sobrevivência.

 

Também aqui convém especificar de quem falamos e com base em quê. Uma apreciação política não tem de ter o rigor de uma sentença judicial, mas convém que não seja feita completamente à toa. Posto isto, for the sake of the argument, vamos admitir que tudo isso é verdade. E depois?

 

E depois nada. Porque as motivações, os desejos e as manobras dos caciques tornam-se completamente irrelevantes no quadro político do PSD actual, fruto justamente da ruptura estratégica introduzida por Pedro Passos Coelho.

 

Passos Coelho decidiu focar estas directas em ideias para o País. Decidiu empreender um reposicionamento estratégico do PSD em consonância com a sua matriz ideológica de sempre. Decidiu apontar um caminho mobilizador para o Partido, de demarcação clara do PS. Decidiu colocar os militantes perante a responsabilidade de oferecer aos portugueses uma alternativa. Decidiu - e foi esta a sua decisão mais arrojada - imaginar a vitória possível já em 2009.

 

Face a isto, não há espaço para negociatas. Está visto que nenhum apoio teve o condão de inflectir o discurso de Pedro Passos Coelho em nenhuma área. Está visto que Pedro Passos Coelho não hesita em demarcar-se de declarações de pessoas que o apoiam quando delas discorda. Admitindo que haja quem apoie Passos Coelho por falta de perspectivas noutras candidaturas, não deixa de ser evidente que Passos Coelho em nada se sentirá obrigado por expectativas auto-alimentadas de caciques. Porque a únicas expectativa que ele alimenta é a expectativa de vitória em 2009.

 

A verdade é que Pedro Passos Coelho disse desde o início ao que veio: unir todos os que se revêem na sua proposta sem olhar ao seu percurso passado; e escolher os melhores para governar Portugal. Ninguém poderá depois dizer que não sabia.

publicado por Vasco Campilho às 00:25
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