Sábado, 17 de Maio de 2008

O PSD sozinho não vai lá

Sou PSD. É o meu partido. Sei que está cheio de defeitos - que instituição humana não está? -  mas nunca me esqueço das suas enormes qualidades. Por isso voto PSD, mesmo quando a liderança não me enche as medidas.

 

Em 2005, fui um dos 29% de eleitores que votou PSD, sem hesitações. Independentemente do candidato a Primeiro-Ministro. Hoje, apareceu uma sondagem que indica que esse universo de eleitores a que pertenço - os fiéis de entre os fiéis - prefere Manuela Ferreira Leite para defrontar José Sócrates em 2009.

 

Que a esses fiéis eleitores Manuela Ferreira Leite pareça a melhor escolha não é de espantar: eles guiam-se essencialmente pela notoriedade pública e pelo reconhecimento dos cargos ocupados no passado. Mas o que é certo é que em 2009, qualquer que seja o vencedor destas directas, eles vão pôr a cruz ao lado das setinhas. Pois se até em 2005 o fizemos!


Para o militante do PSD, a história é outra. O militante do PSD não vota de cruz, porque tem a possibilidade de escolher previamente em quem virá a votar. E quem tem a responsabilidade de escolher o candidato do PSD a primeiro-ministro percebe certamente que só com o eleitorado de 2005 não vamos lá.

 

A verdade que não vem nesta sondagem é que só Pedro Passos Coelho está em condições de, daqui a um ano, ir buscar os 20% que faltam ao PSD para a vitória. Seria um erro grave virarmos-lhes as costas.

publicado por Vasco Campilho às 18:15
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5 comentários:
De foreman a 17 de Maio de 2008 às 20:16
"A verdade que não vem nesta sondagem é que só Pedro Passos Coelho está em condições de, daqui a um ano, ir buscar os 20% que faltam ao PSD para a vitória. Seria um erro grave virarmos-lhes as costas." Mas porquê? Porque vc o deseja? Não é porque os portugueses o desejem porque a sondagem dá resultados ainda mais esmagadores na população em geral do que para os eleitores do PSD a favor de Manuela Ferreira Leite, mais de 60%. Passos Coelho está muito pior junto dos portugueses. Por isso o que vc escreveu é falacioso e não é verdadeiro.
De Vasco Campilho a 17 de Maio de 2008 às 21:27
Foreman, a sua candidata tem o bom senso de não embarcar nas inferências que você aqui faz. Que não são válidas porque:
1) as eleições são daqui a um ano, e não agora;
2) neste momento MFL tem mais notoriedade do que PPC, mas qualquer líder do PSD eleito agora terá uma altíssima notoriedade pública no ano que vem
3) as razões de fundo que impedem MFL de ser uma candidata mobilizadora para além do eleitorado-base do PSD não vão mudar no próximo ano. Quer que lhas enumere?

Ao que eu acrescentaria que:
4) um militante que se preze não segue as sondagens, faz uma avaliação política dos candidatos;
5) a avaliação política de MFL é dificultada pela sua recusa em avançar uma ideia que for;
6) a avaliação política de MFL é prejudicada pela sua prontidão em assumir comportamentos divisivos que não augurariam nada de bom para a vida interna do PSD se ela viesse a obter a liderança, o que prejudicaria as suas condições para disputar o governo ao PS.
De Fernanda Valente a 17 de Maio de 2008 às 23:41
Nunca um candidato que é apoiado por Fernando Ruas teria a modesta percentagem de 7,8 das intenções de voto.
Eu conheço a influência que os autarcas podem ter sobre os militantes de base, e também entre eles, uns sobre os outros, dependendo da projecção de que cada um dispõe, do ponto de vista «dimensão do poder autárquico». E Fernando Ruas não é só um mero autarca, é também o Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, o que lhe confere uma certa autoridade moral no seio dos seus congéneres.
Estas sondagens não passam de alegadas sondagens falaciosas, encomendadas por alguma entidade que visa influenciar o sentido de voto dos chamados militantes de base. O veículo de transmissão escolhido não poderia ter sido melhor.
De Nélson Faria a 19 de Maio de 2008 às 03:29
Não nos podemos vangloriar de sondagens quando nos favorecem (ainda que em leituras questionáveis) e descartá-las quando não nos correm bem.

A única constante em todas as sondagens é que os portugueses querem MFL.

Podemos cordialmente discordar de quem seria melhor, mas não é necessário brincar desta forma.
De Paulo Veiga da Fonseca a 19 de Maio de 2008 às 16:35
As sondagens dizem respeito a uma análise assente num período de tempo bastante definido e numa grelha de análise previamente definida e apresentada aos inquiridos. A amostra tendencialmente poderá reflectir o universo eleitoral. Apesar das teorias de análise estatística, dos intervalos de confiança, erros de amostra, etc. Tenho muitas dúvidas de que 605 entrevista sejam uma amostra credível.

Por outro lado, julgo que uma sondagem realizada entre 7 e 9 de Maio (ou algo parecido) não se replica 15 dias depois de um processo eleitoral.

Por último, se começamos agora a colocar como factor decisivo das nossas escolhas e estratégias os estudos de opinião, os barómetros, as sondagens telefónicas… bom estaremos por um lado, a ser dirigidos de fora para dentro abrindo precedentes difíceis de parar e por outro, deixamos de poder criticar os socialistas os grandes consumidores da Euroexpansão e da Eurosondagem de governarem conforme o resultado da sondagem da semana.

Convém relembrar o que se passou com Durão nas eleições de 2002, em que contra um PS altamente fragilizado, arrancou com uma larga vantagem para a campanha. Como ficou demonstrado se a campanha durasse mais uma semana os 3 % finais de vantagens ter-se-iam esfumado.

Portanto as sondagens valem o que valem, porque estarão sempre dependentes dos factores que acima coloquei. Que o digam os grandes especialistas da Gallup nas primárias Democratas!

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