Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Experiência

«Prefiro não ter experiência governativa do que ter a má experiência governativa que o dr. Pedro Santana Lopes teve», afirmou Pedro Passos Coelho.

.

Duas breves notas. A primeira para salientar que não é do interesse de Pedro Passos Coelho contribuir para esta dramatização da campanha. Quem precisa de palco e de incidentes é Pedro Santana Lopes e mais ninguém. Seria importante não dar para esse peditório. Não se deixar arrastar para as quezílias de que necessita Santana Lopes.

A segunda nota sobre a questão da experiência. O assunto, obviamente, não é irrelevante. Vale o que vale, todavia. Rui Rio também nunca foi ministro e não é por isso que alguém duvida das suas capacidades, julgo eu. Adiante. Vamos assumir que Pedro Passos Coelho tinha sido secretário de Estado e/ou ministro de José Manuel Durão Barroso, ou de Pedro Santana Lopes. Assim já era experiente? Esta magnífica experiência deveria ser valorizada?

Pessoalmente prefiro que não tenha tido essa experiência e que voluntariamente tenha preferido estar à margem desse período negro. Prefiro que ele tenha tirado a sua licenciatura e construído uma carreira profissional que lhe deu independência da política. Ou será que essa experiência no mundo real não interessa?

.

[Adenda]

Não deixa de ser curioso notar que alguns dos que agora valorizam profundamente a experiência foram os mesmos que validaram a solução Santana Lopes que, como se sabe, na altura em que tomou posse como primeiro-ministro tinha no currículo essa fugaz experiência que foi ter sido secretário de Estado. Quanto a (in)experiência, é melhor ficarmos por aqui.

publicado por Paulo Gorjão às 17:00
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7 comentários:
De TAF a 16 de Maio de 2008 às 17:13
Caro Paulo, concordo com o post, mas com uma ressalva em relação a Rui Rio. RR tem grandes qualidades, mas também tem muito grandes defeitos. Acontece que quem está em Lisboa vê mais as qualidades, porque os defeitos sentem-se mais aqui no Porto... ;-)
Eu há tempos escrevi um post n'A Baixa do Porto precisamente sobre isto.
De TAF a 16 de Maio de 2008 às 17:22
Ao reler o que escrevi é que reparei que assumi uma visão demasiado "bipolar" em relação ao país. Por isso onde se lê "Lisboa", leia-se "fora do Porto". ;-)
De Paulo Gorjão a 16 de Maio de 2008 às 17:20
Caro TAF, não discuto isso, evidentemente. Ninguém é perfeito. O meu intuito não era valorizar ou desvalorizar as qualidads e os defeitos de Rui Rio, mas sim evidenciar a diferença de pesos e medidas e a instrumentalização que se está a querer fazer do tema.
De Pedro Braz Teixeira a 17 de Maio de 2008 às 14:33
Concordo com o post. E não percebo como é que a ânsia de receber apoios de todos os quadrantes o leva a permitir esta colagem (ainda não oficial) de Menezes. Não é mais do que evidente que este apoio é veneno puro que descaracteriza e desvaloriza esta candidatura?
E que me diz à sondagem de sábado do CM?
De Paulo Gorjão a 17 de Maio de 2008 às 18:22
Caro Pedro Braz Teixeira, até ao momento não tenho nenhuma indicação de que os apoios oriundos do campo de LFM tenham levado a cedências no rumo da candidatura. E julgo que o Pedro Braz Teixeira também não tem, pois não? Eu continuo a ouvir PPC dizer as mesmas coisas e a posicionar-se da mesma forma. Mais. Nunca o ouvi renegar afirmações passadas, incluindo apreciações sobre o próprio LFM. (Tal como eu não renego nada do que escrevi sobre LFM, já agora...) Logo, até ao momento, não tenho motivos de crítica nessa matéria.
Sobre a sondagem, leio-a com prudência. Vejo sobretudo um reflexo da notoriedade pública e política dos candidatos. Índice de notoriedade que se altera a cada dia que passa, julgo eu (a amostra já tem 10 dias, o que é um valor correspondente ao início da campanha). Com isto, note, não estou a desvalorizar os valores obtidos por MFL.
De Pedro Braz Teixeira a 17 de Maio de 2008 às 20:39
O Paulo é que é o especialista, mas eu não tenho conhecimento de um candidadto partir de uma desvantagem pior que 1:10 e conseguir inverter esta situação num mês.
Também não vale a pena esticar a discussão do protagonista, porque me parece que a questão ficará bem encerrada dentro de 15 dias. Já as questões ideológicas podem e devem continuar. E, nesse campo, até nem estou assim tão longe de PPC. Acho até possível que algumas propostas sejam integradas pela candidatura vencedora, desde que se mantenha um espírito minimamente constructivo.
De Paulo Gorjão a 17 de Maio de 2008 às 20:54
Caro Pedro Braz Teixeira, sou tão especialista como você. Quanto ao resto, parece-me que no essencial estamos de acordo, i.e. encerrar bem a questão.

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