Sábado, 3 de Maio de 2008

O significado das palavras e o papel do líder

Foz do Douro, Porto, há dias

Discute-se nos comentários a um post no Blasfémias se PPC defende isto e aquilo, se vai ter força para levar avante não-sei-o-quê, se ele é ou não é seja-lá-o-que-for. Não quero repetir o que lá está escrito, o melhor é ir lá ler porque a reflexão vale a pena.

Deixo contudo duas notas a propósito.

1) A polémica que se tinha passado com o posicionamento Direita/Esquerda repete-se agora com Regionalista/Não-Regionalista. Eu não me consigo entender nesta discussão sem perceber ao certo o que é que cada pessoa tem como pressuposto ao usar um destes termos. Um exemplo: esta minha opinião sobre a Regionalização é a de um Regionalista ou a de um Não-Regionalista? É que eu não sei, apesar de a posição me parecer bem clara...

2) O líder do PSD não é a fonte única e omnisciente das posições do partido. Pelo contrário, o seu principal papel é promover a reflexão e o debate para obter conclusões claras que levem a um projecto sólido. Se há princípios estruturais que sejam eles próprios definidores do que é a candidatura à liderança (os valores mas não só), esses devem naturalmente ser explicitados desde já. Mas os outros, aqueles sobre os quais ainda não há conclusões internas, podem e devem ser deixados em aberto até que se complete um processo saudável (que se quer aberto) de formação da posição do partido. Confiemos em nós, que é a melhor maneira de apoiarmos o líder.
publicado por TAF às 02:28
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10 comentários:
De Joao Leite a 3 de Maio de 2008 às 09:13
Eu fiquei foi surpreendido com o CAA... ainda ha dias dizia cobras e lagartos do PPC e agora ja vem as boas! Nao ha duvida que esta campanha esta a correr bem...
De anti-comuna a 3 de Maio de 2008 às 10:48
Caro TAF , permita-lhe que lhe responda aqui a esta sua missiva. Faço uma excepção e respondo aos seus comentários aos meus comentários. ;-)

Em relação ao ponto 2 da sua breve nota, existe desde aí uma embalagem superficial, na medida que 99,99% dos políticos e até bancos ;-) subscrevem esses valores. Da Direita à Esquerda. Ou seja, lugares comuns sem uma ponta de rasgo. Pura embalagem e no conteúdo logo vemos que o que ele defende não é muito diferente do que defendem todos os políticos, a começar pelo Sócrates.

Aliás, o que nos diz o Passos Coelho? Que com um Estado forte fica resolvido o problema das parcerias público-privadas. Só isso? E isto é diferente do que pensava Durão Barroso? Do que pensava Filipe Pereira?

Qual o conteúdo que diferencia o Passos Coelho dos demais candidatos? Nada. Zero. Nickles. Lugares comuns. Não tem uma ideia sustentada sobre como resolver o problema.

Em relação à nota 1 do seu artigo, o nosso amigo TAF tenta descontextualizar e desagravar a falta de coragem de Passos Coelho em se definir politicamente na questão da regionalização. Ele já foi regionalista mas já não o é? E o sendo, o seu prínicpio é o mesmo de Durão Barroso?

É que na entrevista ao JN fica claro que ele não defende a mesma regionalização que outros defendem. Defende o mesmo tipo de descentralização do Durão Barroso. Mais uma vez, fica claro que ele não tem coragem em assumir que não difere muio do pensamento aceite dentro do actual PSD. E eu não esperaria outra coisa de alguém que dá como solução para mudar Portugal aplicar os estudos já existentes no PSD. Ou seja, a embalagem é diferente mas o conteúdo programático é o mesmo.

Assim sendo o que diferencia Passo Coelho de Durão Barroso? Nada. Mais. Revela os mesmos tiques moles do Barroso. Nem é carne nem é peixe, É do nim. Para não afuguentar votos?

Julgo que os liberais portugueses estão a cometer o mesmo erro que cometeram nos primeiros tempos do governo de Sócrates. Vão na cantiga do bandido porque dão demasiado valor à embalagem e à propaganda e preocupam-se menos com a substância do pensamento de Pedro Passos Coelho. Vai-lhes ser fatal.

Se eu estiver enganado serei o primeiro a dar a mão à palmatória. Mas confio nos meus julgamentos já que raramente me engana no que toca à substância dos políticos.

De TAF a 3 de Maio de 2008 às 13:23
Caro anti-comuna

Terei todo o gosto em lhe responder de forma mais completa mais tarde, logo que consiga tempo para isso, mas permita-me agora comentar apenas esta frase: "o nosso amigo TAF tenta descontextualizar e desagravar a falta de coragem de Passos Coelho".

Parte de um pressuposto errado, o de que eu tento defender Passos Coelho, custe o que custar. Nada disso. Eu tento apenas defender os meus interesses e aquilo que me parece ser melhor para Portugal (sou um pouco altruísta também, dá-me destas coisas... ;-) ). Acontece que, dos candidatos à liderança do PSD, o PPC parece-me claramente o melhor. Contudo, nem isso justificaria que eu prescindisse de honestidade intelectual, como táctica para "impingir" o candidato e "enganar papalvos". O que escrevo é por convicção. Posso-me enganar, e posso até mais tarde mudar de opinião, mas é sincero. Já agora, deve ter reparado que fiz links para textos que já escrevi muito antes, ou seja, não é de agora que penso o que penso.

Bom almoço!
De TAF a 3 de Maio de 2008 às 13:35
Ah, e mais uma nota rápida: muito mais do que a posição do candidato sobre tudo e mais alguma coisa, o importante é mesmo o processo de formação de posições do partido que ele vai implantar. Porque eu não quero um líder que decida por si, quero um líder que me permita participar e que ouça o que os militantes e a sociedade têm a dizer. De salvadores da pátria já estou eu farto. ;-)
De TAF a 3 de Maio de 2008 às 15:48
Mais uma pequena achega sobre "a substância do pensamento de Pedro Passos Coelho" e sobre a "Regionalização". Parece-me claro da entrevista ao JN que PPC não tem uma solução completa pronta para tirar da cartola. Ainda bem. O que eu não queria era uma Regionalização à Vital Moreira, imposta pelo Poder Central. Eu começaria dentro do PSD a avançar em direcção a uma gestão mais sensata do território, pela fusão/integração de autarquias, pelo menos aquelas onde o PSD está no poder. E em paralelo lançava um debate aberto, sistemático e rigoroso, sobre as implicações dos vários modelos alternativos de "Regionalização", seja lá qual for a definição desse termo. Se PPC viesse propor uma versão qualquer já definitiva, sem ter sido elaborada com a participação dos militantes e da sociedade civil, isso seria (pelo menos para mim) um ponto negativo na sua candidatura.
De anti-comuna a 3 de Maio de 2008 às 16:41
Caro TAF, gostava de partilhar o seu optimismo. Mas julgo que Vc. está a elaborar no famoso wishfull thinking.

"Ah, e mais uma nota rápida: muito mais do que a posição do candidato sobre tudo e mais alguma coisa, o importante é mesmo o processo de formação de posições do partido que ele vai implantar."

E como ele o vai implantar? Com uns Estados Gerais à Guterres? Umas Novas Fronteiras através da blogosfera? Uma linha verde directamente para o gabinete dele? ;-)

Eu concordo consigo que ele não tem posição nenhuma em relação à Regionalização. Nem em relação à Regionalização nem aos principais problemas do país. Esse é que é o problema dele. O que isto revela mais sobre o tipo de político que estamos em presença. Superficial, com muita embalagem e marketing político, redondo e pouco mais. Pelo menos fala em Liberdade. O que é um grande avanço mas fora isso pouco mais.

Vamos ver. Oxalá eu esteja enganado. ;-)
De TAF a 3 de Maio de 2008 às 17:47
Não se trata de optimismo nem de wishful thinking. Trata-se se ter consciência de que há muita coisa que não está (nem podia estar) definida neste momento, por parte de nenhum dos candidatos. O partido não é uma propriedade do líder, é uma construção colectiva. E quanto mais envolvimento de todos tiver, melhor. Dos candidatos, quem melhor do que PPC proporcionará isso?

PPC foi até agora, pouco ou muito, aquele que mais se atravessou, como escreveu o Vasco Campilho, quanto ao rumo que propõe. (Leia-se por exemplo a entrevista de MFL ao Expresso, hoje.) Os outros têm, em alguns aspectos, mais experiência. Mas se eu não gostar da obra feita, devo escolhê-los? Ou devo apostar na oportunidade de mudança?

Quanto ao processo de formação das posições do partido, quer dar sugestões melhores do que as alternativas que já são conhecidas? Estamos sempre a tempo de melhorar as nossas práticas. ;-)
De CAA a 3 de Maio de 2008 às 11:58
João Leite,

Julgo que expliquei minimamente o sucedido. Embora os factos não correspondam às hipérboles por si usadas.
Amanhã, no CM, direi mais.
De José Silva a 3 de Maio de 2008 às 15:06
Caro TAF,

Francamente eu prefiro a Regionalização por fusão de autarquias, tipo modelo dinamarquês, ao modelo tradicional das 5 regiões. Penso que PPC e sobretudo MRelvas também defenderão isso, por que faz mais sentido e é mais sensato. O modetlo das 5 regiões em Portugal, já tem 40 anos ! Actualmente, em qualquer actividade, um modelo que se aplique 5 anos depois de ser concebido, já está desactualizado. Insistir no modelo das 5 regiões é uma atraso tipicamente nacional...

Mas mais importante do que esta questão são efectivamente as dúvidas que o anti-comuna levanta. PPC e MRelvas por muito que sejam regionalistas ou até alinhem nas nossas alternativas de fusão de autarquias, demonstram desde demasiado cedo fraqueza nas convicções. Esta aparente adesão às teses liberais e regionalistas, parece mais um fenomeno de aproveitamento político do que vontade concreta. E do liberalismo seria bom que se percebesse se é mesmo diferente do Neo-liberalismo do PS que acaba por ser uma social-democracia ao serviços dos grandes interesses e das «máfias». A minha suspeita é que não.

Resumindo. A melhor prova de que o caminho certo é PSLopes ou AJJardim, é a hostilidade, medo, pânico que provocam no status quo vigente. Se este grita é porque o ameaça. Não vale a pena perder mais tempo.

Abraços.
De TAF a 3 de Maio de 2008 às 15:32
Caro José Silva

O meu primeiro critério de escolha é o projecto que cada um dos candidatos apresenta, só depois vou analisar as características pessoais. Posto isto:
1- Não se conhece qual o projecto de MFL nem qual o de PSL. O facto de não se terem dado ao trabalho de explicar é um péssimo sinal.
2- Conhecem-se alguns traços do que PPC pretende fazer, e eu concordo com grande parte deles.
3- Sabe-se que PPC defende um modelo de participação dos militantes e da sociedade civil que nunca ouvi nenhum dos outros defender (isto, só por si, é um fortíssimo argumento a favor de PPC).
4- Em termos de imagem e de capacidade de mobilização de uma população adormecida, PPC é melhor pois representa um corte claro com o passado, ao contrário dos outros.
5- PPC tem uma postura sem agressividade, mas ao mesmo tempo firme. Para gente agressiva, e que portanto destrói a possibilidade de colaboração produtiva entre sensibilidades diferentes, já nos basta Rui Rio aqui no Porto... ;-)

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