Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

A lógica das directas

É algo que está mais interiorizado pelo eleitor do que propriamente pelos candidatos ou pelos comentadores. Aquele vê nas directas uma possibilidade de escolher sem a intermediação de outrora - o Congresso - e fá-lo de acordo com motivações muito próprias, raramente coincidentes com as do congressista, seu antigo e por vezes falso representante. Este, geralmente um apparatchik local, votava em função de interesses muito próprios, tão prosaicos como a promessa de um emprego para a filha na ARS do seu burgo, ou mais substantivos como um lugar elegível na lista de deputados ou na vereação do seu município. Satisfeitas que fossem as suas "reivindicações", votaria cegamente de acordo com as indicações do seu "cacique", que negociara satisfatoriamente as prebendas com os candidatos aos lugares de topo.

  

Existe ainda nos candidatos a falsa noção de que a vitória ficará facilitada se aparecer sempre rodeado de uma constelação de "notáveis" ou conseguir o apoio explícito de oligarcas locais, sejam eles o presidente da distrital e (ou) da câmara. A lógica mediática hiper valoriza tais apoios, considerando-os vitais ou fatais, de acordo com o rating que atribui a cada figura, dado este por critérios sempre subjectivos (ou muito objectivos...).

  

As directas tendem a reduzir esta intermediação algo perversa de figurões e figurinhas e esta redução virtuosa acentua-se na razão directa do número de candidaturas. A proliferação destas, com a multiplicação de mensagens que gera, pode ter um efeito mobilizador no militante acomodado, diluindo assim o peso dos sindicatos de voto. Não é inocente a proposta de Alberto João Jardim de se fazer a "unidade" em torno de uma única candidatura dita "anti-sistema": ele sabe que a bipolarização em apenas 2 candidaturas facilita a "cacicagem" e ajuda à perpetuação dos "mesmos".

  

Neste novo e estimulante cenário de várias candidaturas, é relevante a capacidade de um candidato falar para fora, para a sociedade civil, para o "país profundo", tentando criar uma opinião pública (não necessariamente a publicada) que lhe seja favorável.

  

Falar para fora implica um discurso que diga algo ao cidadão comum, que integre propostas que vão ao encontro dos seus interesses e que assim o mobilizem a votar ou a influenciar quem vota. É-lhe indiferente saber se um candidato defende ou não a coligação com outro partido; mas gostará de ouvir, e tenderá a apoiar, alguém que advogue o fim da tirania fiscal que o vai empobrecendo e subjugando. Enfastiam-no as refinadas análises a situar os candidatos à esquerda ou à direita; mas escutará interessadíssimo, propostas claras, simples e consistentes que visem a criação de emprego.

  

O militante anónimo integra a grande massa dos eleitores das directas. Raramente participa nas actividades partidárias, que encara como sendo apenas o palco para disputas pessoais tendo em vista a perpetuação de oligarcas em pequenos / grandes feudos. Tenderá a rejeitar candidatos ou a abster-se, se for confrontado com uma campanha em que prevalecem as zangas de comadres e os ressabiamentos pessoais.

  

O segredo da vitória está pois em possuir engenho e arte para a mobilização do militante anónimo, que anda descrente, saturado das intestinas "guerras de campanário" e que, por sistema, se abstém. PPC dispõe aqui de uma vantagem sobre os restantes candidatos: foi o primeiro a apresentar-se, de forma independente, sem "tropas" nem negociações prévias com barões e baronetes e o único, para já, com um discurso virado para fora, balizado por um inédito quadro de valores. É, de todos os candidatos, o único que está preparado para perder, com uma "folha de asneiras" limpa (ou quase), o que lhe confere a capacidade de ganhar, sem ter de se comprometer na negociação agiotada de apoios interesseiros e sempre voláteis.

   

Basta-lhe manter o rumo previamente definido e transmitir directamente ao cidadão comum uma mensagem de verdade e de esperança. Ganhará com isto a confiança e motivará os seus potenciais eleitores a votarem na mudança.

publicado por LR às 23:04
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