Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Ler a Carta de Valores (2)

O futuro é agoraDefendi aqui que a carta de valores devia ser lida, e levada a sério. Embora não ache mal que haja quem a leve para a brincadeira, vou tentar elaborar um pouco sobre a importância dessa leitura.

Um político que afirma os valores pelos quais se guia, preto no branco,  está a expôr-se a um escrutínio muito mais apertado do que aquele que apenas faz promessas. Porque fugir às promessas é simples: basta dizer que "não era promessa, era objectivo"; ou noutro registo, "não fazia ideia que a situação era tão má antes de ser eleito!" Rings a bell?

Pedro Passos Coelho não foi por aí. Isto não quer dizer que ele não venha, a seu tempo, a propôr medidas concretas para o País: terá que o fazer. Mas começou por referenciar a sua acção a um quadro de valores. E isso faz toda a diferença.

A partir de agora, cada um de nós poderá olhar para as suas acções e pensar: como é que esta medida aparece à luz do valor da pessoa? Como é que esta atitude se coaduna com o valor da liberdade? Como é que esta proposta permite concretizar o valor da mudança? etc.

Em nome do valor da verdade, Pedro Passos Coelho atravessou-se. E é também por isso que merece a nossa confiança.
publicado por Vasco Campilho às 15:59
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5 comentários:
De Dark Helmet a 2 de Maio de 2008 às 17:29
Continuo a achar alguma graça ao facto de dizerem que alguém "se atravessa" quando anuncia móbeis, princípios ou valores que, em si mesmos, são (ou, pelo menos, deviam ser...) comuns a qualquer pessoa.

O estado miserável a que a política portuguesa chegou tem aqui um espelho fidedigno! A diferença, pelos vistos, reside no facto de PPC defender os valores da verdade ou da liberdade num tom quase de apropriação, como que dizendo "eu sou diferente porque digo a verdade e porque pugno pela liberdade!"

Se é essa a diferença, então NINGUÉM merece qualquer tipo de voto. Uns porque não têm essas características (e não lhes chamo qualidades propositadamente porque, volto a dizê-lo, em minha opinião deveriam ser dados adquiridos), outros porque acham que é isso que os distingue. Nunca defenderia ou defenderei que "em terra de cegos quem tem olho é rei"...

Mais, o simples facto de terem de recorrer a exemplos vindos de outros lados para marcarem a diferença é um sinal de que a afirmação de valores, por si, não parece ser fundamental. Serve apenas o propósito de tentar marcar alguma diferença. Isto é, eu não digo que defendo a liberdade (aqui a mero título de exemplo) porque é um valor fundamental para mim, mas sim porque o "A" o "B" ou o "C" não o fizeram e, logicamente, quero tirar vantagem disso.

O cerne da questão está no conteúdo do debate. Não se discute a política, verdadeiramente, quase que se acaba a discutir o carácter das pessoas. Reafirmo, se é para isso que estes documentos servem, não os tirem da gaveta. Ficam pior na fotografia.

É bonito dizer que PPC "se atravessou" e que, deste modo, se poderão julgar as medidas, políticas ou o que quer que seja à luz dos valores anunciados. Pergunto, é pelo confronto com afirmações genéricas que se vaõ avaliar as propostas? A política não deveria ser um exercício de tentar alcançar um objectivo percorrendo um caminho coerente, sério e altruísta?

Se me disserem que o valor "pessoa" encerra em si um resultado, uma concepção social, um projecto político, eu até posso vir a retirar o que disse agora equanto subsistir no ar com o primeiro dos valores do qual, não obstante ser o primeiro, nada se pode retirar, tenham paciência...

Os valores, por si, deveriam ser dados adquiridos. A menos que alguém venha defender valores atípicos não deveria ter necessidade de os afirmar. É justamente isso que me preocupa...
De Black Bart a 2 de Maio de 2008 às 17:33
Desculpem as gralhas:

"vão" e não "vaõ";

"enquanto" e não "equanto";

"como o primeiro dos valores" e não "com o primeiro dos valores"
De TAF a 2 de Maio de 2008 às 18:28
Primeiro, convém sempre lembrar: uma "carta de valores" não é um "programa". É uma lista dos princípios de referência aos quais se dá peso significativo.

Segundo: "princípios ou valores que, em si mesmos, são (ou, pelo menos, deviam ser...) comuns a qualquer pessoa". Olhe que não. Grande parte deles é, certamente, mas mesmo nessa parte o peso que cada pessoa atribui a cada um deles pode ser diferente (poderiam não merecer ser "seleccionados" para a carta de valores pessoal, por exemplo). Haveria quem desse mais valor a um modelo mais "planificado" de sociedade, por oposição à ênfase na liberdade individual acompanhada pela solidariedade. Haveria quem desse menos importância à autoridade e à verdade, e preferisse sujeitar-se mais à auto-regulação não fiscalizada. Não somos todos iguais, e só aparentemente há unanimidade nos valores genéricos e, principalmente, na importância relativa que se dá a cada um deles.

Terceiro: uma carta de valores é um princípio. Falta o resto. Alguma definição já tem vindo a ser feita, por exemplo na entrevista ao JN, e mais virá. Muito do resto (alguns dos detalhes da concretização) nem sequer devia ser o PPC a afirmar desde já, qual "salvador da pátria"; isso seria empurrar a nossa responsabilidade individual para as escolhas de "iluminados". Se há algo realmente fundamental, e distintivo, que PPC propõe, é precisamente o envolvimento colectivo de todos quantos quiserem intervir. Isso não é a procura forçada de consensos, mas sim aquilo que se poderia chamar de "política open source". Vale a pena apostar nela!
De Dark Helmet a 3 de Maio de 2008 às 22:11
Julgo que todos sabemos que uma carta de valores NÃO é um programa... É desnecessário focar isso!

No entanto, as observações feitas até aqui incidem sobre o facto de (ainda) não haver programa, ideias ou ideologia.

Até aqui (e isto vale para qualquer um dos candidatos, mas vocês têm blog...) nada de concreto foi apresentado. A grande motivação que empurra qualquer um dos candidatos é derrotar o Eng.º. Ora, na minha terra, é habitual dizer-se que quem critica tem de apresentar alternativas.

Se até aqui a "carta" foi o que apresentaram, onde estão as alternativas!? É esta a vossa ideia de uma campanha esclarecedora para os membros da agremiação e para a sociedade em geral?

Por último, e ainda a propósito da carta, queria aderir ao comentário infra. Obrigado pelo contributo já que me parece que estamos na mesma onda!

Valores valem o que valem (e não os estou a menosprezar pois acredito na sua importância). Não pagam impostos, não geram riqueza, não acabam com os problemas das pessoas...

Aguardarei, com alguma expectativa, confesso, que sejam divulgados programas, ideias, medidas. Até lá, a luta parece resumir-se a quem tem mais hipóteses de derrotar o Eng.º. Para quê? Ninguém sabe...
De Carlos Unhas a 3 de Maio de 2008 às 03:31
Presumo que o valor Solidariedade, não estando na carta de princípios, não é um valor professado por esta candidatura?

Ou o valor Respeito? E o valor Amizade?

Este candidato não é melhor ou pior por ter estes "valores". Fez a cartita é é uma brincadeira engraçada.

Não transformem um número mediático no Alfa e òmega. E aceitem melhor que as pessoas brinquem com voçês.

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