Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

o que pretende o psd?

Muito por culpa de Mário Soares, que sempre soube defender eximiamente o seu espaço eleitoral, gerou-se a convicção de que em Portugal só se ganham eleições ao centro. Para o PS isto é conveniente, na medida em que jamais poderá dizer que pretende ir buscar votos à direita, embora necessite deles para ganhar eleições. Por isso, o centro é, para o Partido Socialista, não só o seu espaço natural como o espaço do PSD, onde ele entra sempre que pode.

 

Para o PSD, que infelizmente se deixou cair nesta ratoeira, pelo menos, desde o fim do cavaquismo, esta é uma péssima opção. Na verdade, ao não diferenciar claramente a mensagem política da do Partido Socialista, não consegue competir com este partido num espaço que não deveria ser verdadeiramente o seu. O PSD é, hoje, como o tem sido nos últimos anos, um partido defensor do Estado Social, que se limita a disputar com o PS as «melhores» políticas para o viabilizar. Verdadeiramente, o PSD deixou há muito de ser um partido reformista e liberal.

 

Ora, o PSD só foi capaz de conquistar o poder quando fugiu ao «centrão». Foi assim com Francisco Sá Carneiro, que não hesitou em demarcar o seu projecto político do socialismo, criando um grande bloco eleitoral de direita (a Aliança Democrática), e com Aníbal Cavaco Silva que subiu ao poder contra o governo do Bloco Central (PS-PSD). Quando pôs em causa a reforma agrária, as nacionalizações, a economia planificada, enfim, o socialismo.

 

È, pois, chegada a hora do PSD esclarecer o eleitorado se pretende continuar a ser um partido reformador do Estado Social, mantendo-o, ou se prefere mudar esse paradigma. Concretamente, para um modelo liberal de organização política, que redimensione as funções do Estado, diminuindo-o drasticamente, devolvendo à sociedade civil, aos indivíduos e às empresas privadas, as funções que retirará ao Estado. Tem, contudo, que esclarecer, antes das eleições, o que quer manter no Estado, o que lhe retirará e o que devolverá à sociedade, como e quando.

 

Por parte do Partido Socialista de José Sócrates o modelo político é claro. É o da defesa do Estado Social, reformando-o e tornando-o mais eficaz, se preciso for (e é-o sempre), diminuindo as garantias, os direitos e as liberdades dos cidadãos. O governo em funções representa exemplarmente este paradigma: não reduziu nenhuma das funções do Estado, ampliou-as até, limitando-se a melhorar o seu funcionamento. Mas não o reformou efectivamente, menos ainda o transformou.

 

Resta, assim, saber se o PSD quer continuar a competir com o PS no espaço que naturalmente pertence a este partido, ou se prefere afirmar o seu próprio projecto político, que passará necessariamente por uma outra visão do Estado. Tradicionalmente, na Europa e no Mundo, existem dois grandes partidos políticos de alternância governativa: um socialista e um conservador/liberal. O que o PSD tem, no fim de contas, de esclarecer, é se quer voltar a ocupar o seu espaço natural, ou se prefere continuar a ser um fraco simulacro do partido do actual primeiro-ministro.


 

RA

publicado por catalaxianet às 19:24
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6 comentários:
De Dinis a 1 de Maio de 2008 às 20:00
Ora aí está. E é com "não sou de esquerda, nem de direita" que essa clarificação se faz?
De TAF a 1 de Maio de 2008 às 20:22
Ficaria "clarificado" se dissesse "eu sou de esquerda" ou "eu sou de direita"? Para que haja comunicação é preciso que todas as partes se entendam quanto à definição dos termos que usam. Acontece que o que para uns é de direita, para outros é de esquerda, e para outros ainda depende das circunstâncias em que se analisa o caso... Para que todos se entendam, é mais sensato afirmar quais os princípios e as medidas que se defendem, em vez procurar refúgio em conceitos genéricos de Direita e de Esquerda que na realidade já pouco significam.
De Dinis a 1 de Maio de 2008 às 23:12
"Procurar refugio em conceitos genéricos (...) que na realidade já pouco significam". É curioso, que andamos todos a ouvir isso há certa de 150 anos, e por cada livro publicado com essa matriz, logo dois surgem a dizer que nunca essa distinção foi tão actual. Aliás, tenho a certeza que saberá isso. A questão não é essa, é a seguinte: Sócrates, como poderá constatar na próxima sondagem do Expresso, aparece com níveis de popularidade absolutamente notáveis. Ora, como combate o PSD essa realidade?Marcando a diferença, ou optando por ser o mais parcido com Socrates. É que, esse espaço virtual (não ser de direita nem esquerda, fazer o que é preciso) foi ocupado precisamente por Sócrates; ou o que crê o meu amigo que querem dizer estes níveis de popularidade com três anos de governação?
Em suma: ou PPC marca a diferença, reposiciona o Partido ( ideologicamente) ou... não ganha as eleições legislativas, e porque o PPD/PSD profundo quer é poder...se calahgr não ganha os votos do PPD profundo. mas enfim , voces é que sabem!
Cumprimentos
De TAF a 2 de Maio de 2008 às 00:30
"não ser de direita nem esquerda, fazer o que é preciso"

Se com esta frase pretende dizer "não há um projecto bem definido, não há opções claras, vai-se andando e vai-se vendo", não é nada disso que eu defendo. Aquilo que eu escrevi é que a sua definição de Direita e Esquerda é quase de certeza diferente da minha e diferente da de outras pessoas. O problema aqui não está na indefinição da política, mas apenas dos termos que se usam, dos pressupostos quando se imagina um "enquadramento convencional". Ao PSD não falta espaço, precisamente porque aquilo que o PS fez vai contra o que seria sensato: apostar na redução real do peso do Estado, colocar urgentemente a Justiça a funcionar, "soltar" a sociedade civil.

Mas, como já escrevi noutro comentário: o objectivo não é ganhar eleições. Ganhar eleições vai ser a consequência de um projecto bem apresentado, que é melhor do que o do PS.
De Dinis a 2 de Maio de 2008 às 00:42
Agora perdi-me: RA e TAF são a mesma pessoa? É que o artigo parece-me indiciar a necessidade de "reposicionar"o PSD, ora não há reposição que não implique alinhamento ideológico,sob pena de assentar num discurso anódino.Bom,quanto à última parte deste seu comentário: não podia estar mais de acordo. Espero (como democrata) que sejam esses os pressupostos desta candidatura, para que não haja ilusões e desperdícios de personalidades. PPC não merece isso. Aliás pode constatar esta opinião no meu modesto blog.
Cumprimentos, e boa campanha. Racional, sobretudo!
De TAF a 2 de Maio de 2008 às 01:45
Caro Dinis: RA é o Rui Albuquerque, TAF (Tiago Azevedo Fernandes) sou eu. Mas mais uma vez: eu não recuso nenhuma clarificação ideológica, apenas afirmo que não é usando as palavras "Direita" e "Esquerda" que a conseguimos, pelas razões que apresentei antes.

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